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Terça, Abril 25, 2017

‘’Verás que um filho teu não foge à luta.’’

Mão no peito esquerdo do lado do coração para entoar o hino brasileiro em um dos momentos mais emocionantes do movimento de luta pelos direitos da Transamazônica e Xingu. E foi ali no meio da Br-230 que cerca de 800 agricultores ouviram atentamente as negociações que foram feitas em Brasília/ DF entre o governo federal e a comissão dos representantes da região.

 Há cada conquista uma vibração. Há cada demanda atendida ou encaminhada a certeza de que o acampamento, que desde o início teve a missão de chamar atenção do governo, teve respostas positivas. As políticas públicas deveriam chegar aos municípios do entorno de Belo Monte, a terceira maior hidrelétrica do mundo. Vários foram os pedidos e também os desabafos...
’Não vamos deixar a licença de operação desta hidrelétrica sair, até que todas as demandas daqui do povo da Transamazônica e Xingu saiam do papel’’. Esta foi a frase que entoou! Que fez com que os produtores rurais tivessem a certeza de que as lideranças sociais estão de olho no andamento das condicionantes e principalmente no cenário da região que sobrevive de uma agricultura familiar forte que mesmo sem muitos incentivos consegue sobreviver e mais... Consegue produzir e colocar na mesa alimentos para os moradores das áreas urbanas.
A meta é fazer com os produtores rurais tenham uma melhor qualidade de vida. Que o campo também ofereça subsídios para que não aconteça o êxodo rural.
São os operários da roça que motivam uma geração de líderes que buscam através de movimentos sociais respostas para este povo simples, que dia após dia, trabalha duro enfrentando chuva ou sol. Gente que também tem esperança e que não tem vergonha de ir á luta para cobrar igualdade. Foi o que aconteceu mais uma vez... Agricultores que uniram força e decidiram bloquear dois pontos de uma das rodovias mais movimentadas do Brasil. Fechar a Transamazônica foi a forma que eles encontraram de chamar a atenção dos governos. Não foi nada fácil, eles sabiam que impedir uma grande obra poderia trazer desconforto para os operários da hidrelétrica. Mas foi preciso pressionar!
Pacificamente o movimento aconteceu. Mas enquanto os produtores rurais tentavam negociar e liberavam viagem para aqueles que não podiam ficar presos ali na estrada. Uma tragédia aconteceu!
O dia18 de maio ficou manchado por sangue. Leidilene Drosdoki e Daniel Vilanova foram covardemente assinados por um motorista que propositalmente os atropelou e depois fugiu.
Dois agricultores foram mortos em nome de um coletivo!
Lágrimas que se misturam com revolta. Vozes que clamam por justiça!
As negociações fluíram em Brasília.
Mas a luta não parar por aqui!
Ainda falta colocar atrás das grades o covarde que por vontade própria ou a mando de alguém tirou a vida de dois trabalhadores rurais!
As lideranças sociais continuarão com a mesma bravura cobrando agora por JUSTIÇA!
Os agricultores da Transamazônica e Xingu ainda estão de luto... Mas permanecem firmes!
É inevitável não segurar lágrimas!
Mas nós somos Transamazônidas, somos Paraenses, somos Brasileiros.
Corações valentes! Um povo que não tem medo e nem vergonha de lutar por aquilo que falta ‘’aqui’’ e ‘’acolá’’: Justiça!
Vamos fazer valer o que canta o hino desta nação:
‘’ Mas, se ergues da justiça a clava forte;
   Verás que um filho teu não foge à luta.
   Nem teme quem te adora, a própria morte.’’

 Raiany Brito // ASCOM FUNDAÇÃO VIVER PRODUZIR E PRESERVAR.